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Maglore.

Já que ficarão ausentes dos palcos baianos por um tempo, farei homenagem aqui a Maglore. Iniciei o blog com um clipe deles, mas eu ainda não tinha entendido o formato que o blog tomaria. E esse formato é como um banco de dados: não pulverizar as informações, colocar tudo o que uma banda fez, até o momento, numa postagem só.

A Maglore é Teago Oliveira (voz e guitarras), Léo Brandão (teclado e guitarras), Nery Leal (baixo) e Igor Andrade (bateria).

Maglore

Discografia:

Veroz (2010)
Veroz – Nova edição (2011)
Marcha Ré (single, 2011)

Eugeniusz Kowalski: Direção
Cesinha Veloso: Câmera
Eugeniusz Kowalski: Câmera
Carlos Farias: Câmera
Eugeniusz Kowalski: Edição
Maglore: Produção

Enquanto sós (Teago Oliveira)

Se esse sol não vier
O amanhã é pouco pra dizer que é só ilusão
A escuridão
Se essa cor não vier
Preto e branco é todo universo de habitação
Pra se perder, se achar e se entender
Pra reviver

Eu só queria ter você no coração
Sem ter toda essa tristeza
Em que pese ser amor
Nunca temos a certeza
De que estamos sós, até o fim

Toda dor pesa a fé
De que um dia o tempo feche essa cicatrização
Sem dar vazão…
Mas toda paz é tão certa
Quanto a alegria de saber lidar com a solidão
E perceber, na realidade crer
Pra renascer

Eu não queria emudecer com a razão
E emitir tanta frieza
Se pudesse ser mais são
Ia ver toda beleza
De que enquanto sós…
Somos união

Fotografia: Marceleza Castilho e Suzanne Bouron
Montagem: Filipi Pauli
Imagens feitas em Nieul, França.

Demodê (Teago Oliveira)

Quando eu ficar ranzinza
e não puder mais reverter
A idade que incomoda
É um demodê feito pra vender

Vou andar no descompasso
Dos cinquenta eu não passo
Não vou ter mais sensatez
Maldizer vai virar esporte
Vamos desdenhar da sorte
Ganhar mais e mais perder

E não vou falar de amor
De amor
E não vou guardar rancor nenhum

Enquanto o tempo não chega
De esperar só pra sofrer
A mentira que acomoda
É um demodê feito pra vender

Se precisas de ajuda
E esse deus que não acuda
Te complica o entender
É que quando vem a sorte
Ele fica bem mais forte
E só resta agradecer

E não vou falar de amor
De amor
E não vou guardar rancor nenhum

Eugeniusz Kowalski: Direção
Cesinha Veloso: Câmera
Eugeniusz Kowalski: Câmera
Graziella Macedo: Câmera
Jorge Solovera: Câmera
Eugeniusz Kowalski: Edição
Maglore: Produção

Lápis de Carvão (Teago Oliveira)

Vi seus olhos claros e seu batom
Desmontando sentimentos
Descontando frustrações

Fiz a tua boca à lápis de carvão
Revivendo fantasias
Remoendo sensações

Rasguei as fotos só de um lado
a lado separando o que é meu
Quebrei aquele emoldurado
Velho que um dia você me deu

Vai se guiando pelo vento
Que eu sei me cuidar bem só
Vai disfarçando o sentimento
Até te dar um nó
E se for se arrepender
Guarde tudo pra você
Porque pra mim já acabou

Vi seus olhos claros e seu batom
Revivendo fantasias
Superando frustrações

Eu fiz a sua boca à lápis de carvão
Desmontando fantasias
Descontando frustrações

Rasguei as fotos só de um lado
a lado separando o que é meu
Quebrei aquele emoldurado
Velho que um dia você me deu

Vai se guiando pelo vento
Que eu sei me cuidar bem só
Vai disfarçando o sentimento
Até te dar um nó
E se for se arrepender
Guarde tudo pra você
Porque pra mim já acabou

Filmagem: Marceleza Castilho e Suzanne Bouron
Edição: Filipi Pauli
Imagens feitas em Biscarrose, Arcachon e na Duna do Pyla, França.

A sete chaves (Teago Oliveira)

Ela é a moça que sonha
O tempo não lhe escorrega
Seus segredos
Não vem a tona
Porque hão de se preservar

Como pode assim um coração
A sete chaves se trancar
Pode esconder a emoção
Com tanta ternura no olhar
É só lembrar pra ver

É, parece que ela tem na ponta dos dedos
O caminho que trilhar
Parece sofrer com a espera de tudo que sonhar
Mas é seu jeito de levar

Qualquer coisa que lhe destoa
É pouca para lhe faltar
Sabe a hora de rir à toa
E também a hora de chorar

Ela pode ter um novo amor
Para em mil pedaços revirar
Peca na incerteza da paixão
Mas num passo sabe contornar
É só lembrar pra ver

É, parece que ela sente as cores do vento
O destino que traçar
Parece temer a força que vem de dentro
Encantar, pra nunca mais deixar
Pra sempre me levar


Estúdio Ibahia

Às vezes um clichê (Teago Oliveira)

Pode ser assim
Como um beijinho de passarinho
De uma leveza perspicaz
Quando eu dou por mim
Eu não estou mais tão sozinho
Tenho a beleza da cidade

É que assim talvez
A vida é boa
E tão a toa custa a acreditar
E tudo que acontece
A gente teme
Na certeza desse caminhar

E quero que você me leve
Do seu jeito e do seu modo
Não quero que você carregue
Nenhum peso pelo medo de gostar
Às vezes de um clichê

Posso ser assim
Um pouco alheio do seu ser
Mas é meu jeito de viver
Nenhuma frustração
Calejaria o coração
Sem essa gana de vencer

E quero que você me leve
Do seu jeito e do seu modo
Não quero que você carregue
Nenhum peso pelo medo de gostar
Às vezes de um clichê


Oi Novo Som

Todos os amores são iguais (Teago Oliveira)

Ele não lembra quando tudo começou
Mas já sabia que daquele jeito não daria
Rodou o mundo atrás de uma solução
Ignorando o que já viveu

Não tinha medo de reconciliação
Mas já previa toda confusão que haveria
Pediu um tempo pra acalmar o coração
Brincando de recomeçar

Demorou a entender
A grande ilusão
De que amor é sempre um só
O resto é figuração

E dessa vez acabaram com certeza
Lá lá lá mas voltaram outra vez
E já discutem pela sobremesa
Porque todos os amores são iguais
São iguais

Ela acordou com uma certa inibição
Seus braços caminhavam sobre a cama vazia
Se deparou com aquela solidão
E perdeu a razão

Só passou a entender
A mitificação
De que estar triste é estar só
O resto é só distração

Dessa vez acabaram com certeza
Lá lá lá mas voltaram outra vez
E já discutem pela sobremesa
Porque todos os amores são iguais
São iguais

Ele só queria se fazer feliz
Preenchendo o tempo com um outro alguém
Mas seu vazio é o coração

Dessa vez acabaram com certeza
Lá lá lá mas voltaram outra vez
E já discutem pela sobremesa
Porque todos os amores são iguais
São iguais


Oi novo som

Megalomania (Teago Oliveira)

Estamos todos juntos outra vez
Pregando aquela evolução mental
De quem tem mais razão pra se servir
Do erro de quem não pode voltar

O rei sou eu
E corre o sangue azul em mim

Espera aquela dança acontecer
Com todo aquele belo ritual
Do drama que vai te entorpecer
A boca que escolhestes vai urrar

O Deus sou eu
E o teu sangue corre em mim

Mas se você quiser acreditar
No sentimento tolo que te trai
Peça para ao menos se submeter
Somente a você

Estamos aqui juntos pra dizer
Sem Megalomania de quintal
Não esperamos tudo florecer
Livramos esse karma visceral

O rei sou eu
E corre o sangue azul em mim

Mas se você quiser acreditar
No sentimento tolo que te trai
Peça para ao menos se submeter
Somente a você


Show no Sanguinho Novo, abertura do show do Cascadura.
Praça Tereza Batista, 30 de janeiro de 2011.

O Mel e o Fel (Teago Oliveira)

Não vim só cuidar das flores
Não vim só sentir as sensações
O vento que traz amores
É o mesmo que corta os corações

E a moça sorri a doce
Porque do amargo já provou
E desdém da liberdade
É só pra quem nunca se fechou

Eu que não conheço muito mundo assim
Já calejo pra levar alguma coisa ao fim

Se tantos planos forem tão em vão
E se esse sonho amargar em nossas mãos
Eu quero que se cuide e que não mude o que tens de bom
Pra não desmerecer seus dons

Eu quis detalhar as cores
E poder colher as estações
A vida que traz as dores
É a mesma que une os corações

E o medo de ir tão longe
É o karma de quem não derrotou
Se certo é seu novo errado
Às vezes até nenhum dos dois

Eu que não conheço bem o mundo assim
Já calejo pra levar alguma coisa ao fim

Se todos os anos forem tão em vão
E se esse sonho amargar em nossas mãos
Eu quero que se cure e que não mude o que tens de bom
Pra não desmerecer seus dons

Se tantos planos forem tão em vão
E se esse sonho amargar em nossas mãos
Eu quero que se cure e que não mude o que tens de bom
Pra não desmerecer seus dons


Estúdio Showlivre (2011).

Marcha Ré

Em meio a todo o caos,
De pesos, dólares e políticas digitais
Surge o “homem-farsa” e as vicissitudes de quem sabe entreter.

Estamos cansados de toda essa mentalidade distrital
Pois se o lema é o “faça você mesmo”, então faça pra você.

E se quiser lembrar dos anos 70
Então, se libertar é tudo o que se tem.
E se subordinar é uma falsa saída

Vamos voltar!

Vamos voltar!

Eu já marchei com dignidade pela revolução cultural
E os zumbis ainda tentam controlar o estado, a mente, a mão de Deus.
Já descartei os falsos “Ches” e disse que os amores são iguais
Pois não são iguais, não são iguais.
Eu errei.

E se quiser lembrar dos anos 70
Então, se libertar é tudo o que se tem.
E se subordinar é uma falsa saída

Vamos voltar!
Vamos voltar!


Projeto Cedo e Sentado da Casa fora do eixo. Studio SP, São Paulo, 26/04/2011.
Produção e Edição: Rafael Kent

Tão além (Teago Oliveira)

Veja o som como um outro alguém
Que esse apartheid musical
A gente dobra e finge que nunca existiu

Veja o povo e o que é que ele tem
Alegria o ano todo e em fevereiro
O mundo inteiro é dele também

E o que fizer é pouco
Se não fizer com coração
Me siga por favor
Invente o seu verão

Me disciplinaram tão além
Que eu esqueci de venerar os carnavais também
Me trataram com tanto desdém
Se eu falo estranho mas me entendem então tudo bem

Entrevistas e Matérias


Entrevista para a Melody Box, 11 de Fevereiro de 2011, lançamento do CD Veroz no Audio Rebel, Rio de Janeiro.


Conexão Vivo na Sala do Coro


Tintim Por Tintim, JustTV, 25/04/11.


Entrevista no StudioShowLivre (2011)


Entrevista para o BahiaNotícias.com.br

Covers


Morena (Los Hermanos). Projeto “O Círculo Convida”, 14/03/2010.


Give me love (George Harrison), Estúdio Ibahia.


É D´Oxum (Gerônimo), Conexão Vivo na Sala do Coro, 6/02/2012.


Sexy Yemanjá (Pepeu Gomes), com Enio Nogueira, ao vivo do Vila do Rock, Teatro Vila Velha, 21/07/2011.


Don’t let me down (The Beatles), no Groove Bar.


Balada do louco (Os Mutantes), show de lançamento do single Demodê, 3/6/2010, Groove Bar.


Get Back (The Beatles).


Baby (Caetano Veloso), com Giovani Cidreira, da Velotroz, no Portela Café, 29/10/2011.

Para saber mais: http://www.maglore.com.br

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Manontropo.

lFoto: Sara Cohim

Tendo amigos compositores de várias bandas e tribos, a ideia do Manontropo surgiu pensando um projeto só com composições em parceria. Grava-las e fazer uma página com os resultados (na época era o Myspace o da moda). Isso por um tempo ficou só na minha cabeça.

O meio de 2010, julho ou agosto, foi o início da minha amizade com Thiago Lobão (http://rascunhodesol.blogspot.com/), poeta e letrista (e futuro cantor). Ele havia feito umas letras para o pessoal da Neologia (http://www.myspace.com/neologia) e o conheci através de Ian Lasserre.  Na casa de Ian, fizemos uma música chamada “Era baiana” e a química foi tanta que logo dividi com ele a ideia do laboratório de composição.

Começamos assim, nós dois, um projeto que deu muito certo enquanto durou (cerca de oito meses), foi agregando muita gente boa, muita produção, cerveja e cigarros.

manontropo 2Foto: Rodrigo  Wanderley

Sem pressa e com muita leveza, fomos prolíficos. Não sei ao certo, porque nem todas as parcerias foram gravadas, mas acho que o grupo fez mais de 30 músicas em uns 5 meses. O restante do tempo foi preparação de shows e ainda rolaram umas musiquinhas novas nessa etapa (e continuam rolando…).

Eu, Thiago Lobão, Gabriel Rosário, Dadi Andrade, Ian Lasserre, Giovani Cidreira, Eric Pretti, Cyllus Cohen, Katherine Almeida, Ian Cardoso, Gabriel Arruti, Zuza Zapata, Danilo Souza, Aracy de Almeida Campos, Rodrigo Seixas, Caio Araújo, Andel Falcão, Filipe Lorenzo, Ítalo Marques, Yves Tanuri, Tássio Carneiro, Lívia Ferreira, Rosa Rodrigues, Rodrigo Wanderley, Rafael Martins, Danilo Fonseca (“Garotinho”),  Marceleza Castilho…além de muitos amigos que iam as reuniões assistir, conversar sobre linguagem, estética e outras cositas, também contribuindo.

manontropo

http://www.myspace.com/masnaomuito

No segundo semestre de 2010, todo sábado, nos reuníamos na casa de Lobão e trabalhávamos. Ficou acertado que as gravações seriam caseiras e cruas, pra que o site fosse uma extensão do apartamento na internet, mantendo a ideia: fazer junto e mostrar como se mostra a um amigo que nos visita em casa: músicas sem maquiagem, com todos os seus defeitos de recém-nascidas e também suas potencialidades.

Foi um laboratório de criação e só. Gravar as músicas com pompa era coisa pro futuro.

Lobão

(Pintura de Rodrigo Seixas, da série Parafráticos, que ilustrou os shows. Muitos rascunhos foram feitos durante as reuniões.)


Gelo mares (Giovani Cidreira)

Depois de todos os lugares
De todos que avistou
Aponta pro teu gelo
Mares que não tem mais amor nenhum…
Que não tem mais amor nenhum.

O prisma que repete
A cor que não tem mais
Você que se repete
Lembrança que não tem mais fim

Eu, teu corsário preso
Que eu nem te conheço
Mas tens brilhado em mim
Eu, um homem triste.


Da geração (Davi Correia/ Thiago Lobão)

O que será?
No que vai dar?
Computadores
Calçadas poucas, a vida a mil
Filme em cores concretas
Folhas tão discretas
Almas em série, corpos concretos
Nadas no novo, neurose urbana
Tô nem aí
Nadas no mundo, um velho ovo
Reverso o verso

O que virá da geração
no pós do caos
Pós se viver, não-vida
Sonhos em avenidas

Super-homens
Que não salvam as nossas
Utopias, mobilizações de canções
Massas
Eu não sei mais onde
Perdendo espaço intenções sem cartaz

Formações das (in)formações sem substância

O que dará da geração
Reprodução do lado cá
Escreverão esta história porque mãos vem me amar
O meu amor só fala em bits-flor
Niilismos e narcisos
Vou…

…cantar pras paredes
Ouvir mil ecos que farão
Depois de surgirem tempos das gerações
O que nos dirão então das invenções das gerações
que não inventaram tempos nos corações?


Rio-Bahia (Ian Lasserre/ Gabriel Rosário/ Thiago Lobão)

O tempo navega por entre colunas de nuvens
De onde se avista um canavial
E o sonho perpassa a estrada
E o sonho se derrama pela estrada
Sente fome e frio pela estrada – um menino
Que na rio-bahia vai franzino
Já nem sabe cadê o painho, a mainha
Pra um abraço sem mãos pelo caminho
A certeza perpassa o olhar
E a certeza se derrama pelo olhar
Quinquilharias e muambas – pelos pés
Num país de olhos fechados
Na rio-bahia vai miúdo um menino
Que não sabe cadê aquele menino
Cadê o menino?


Justinho coração (Ian Lasserre/ Thiago Lobão)

Não é justo coração
Que tanto deu ao dar amor
Andar cheio e sem razão
Que se emprestou prestando amor
Bater fora da canção
Que fique justo
Juntinho ao meu
Um dengo direitinho
É só meu e seu
Justinho ao meu
Que seja junto
Futuro ajeitadinho
É só meu e seu
Ando cheio de esperança


Açaí aqui (Giovani Cidreira/ Thiago Lobão)

Ela vai tomar açaí
Ela é de açaí
De açaí
Açaí
Lá do outro lado
Lá do lado ali
Ela vai ficar aqui
Ela é aqui
Ela vai ficar aqui
Aqui
Aqui
Ela quer ver o Havaí
Ela é o Havaí
O Havaí
Havaí
Lá no oceano
Lá no oceano ali
Ela vai ficar aqui
Ela é aqui
Ela vai ficar aqui
Aqui
Aqui


Espelho de Alice (Giovani Cidreira)


Girassol e Tarde (Giovani Cidreira/ Thiago Lobão)

Sobre a cidade,
mil corpos de nuvem,
sob a tarde,
um girassol.

Sobre o vento,
Discursos, caminhos…
sob um passarinho,
um girassol.

E a manivela do mundo girando,
e as oficinas de vento mexendo comigo,
mas já nem ligo,
um sentimento aqui parece maior,
parece melhor nem pensar.

Todo o momento que eu perco em silencio,
Tudo que eu guardei, ficou só.

Uma saudade pra viagem
e a engrenagem me confunde,
a minha turma, meus amigos,
coisas que nem sei,
coisas que não sei falar.


Marchinha (Davi Correia)

Passou, também não queria
Mas não se magoe
Todo mundo volta à cidade hoje
Para enfeitá-la toda para o carnaval

Senta, todo mundo chora
Mas vê se te aguenta
Ouça, não se espante
Até onde eu me lembro
Moça mais bonita que você não há 

Assim, põe o teu sorriso a luzir na avenida
Me dá no olhar ridícula esperança
De que nessa noite vou ser o teu par


Odisséia Baiana (Davi Correia/ Thiago Lobão)

Me apressar? Não.
Eu sou o sol
Não adianto tempo
Não perco a viagem de ser farol
Raios em fios vou costurar

O que o silêncio dá eu como
Ninfas no mar
Óleo de baleia
Lúzidas rainhas
Itaparica: minha Ítaca baiana

Se vou naufragar, Deus, me folgue o nó
Capina na nuvem um tempo bom
Semeia luz pra minha Penélope
Que alucina
Tecendo um vivo-morto
Relaxe
Até o fim do dia, nêgo, desmancho o tricô de novo

Eles me veem, não
Bordo e repito:
Não me basta corpo
Quero, além do mito, o meu pedaço
Ausência amarro neste laço

Netuno quis assim, apelo: Iemanjá!
Proteja a costeira
Ilhas derradeiras
Ciclopes vi
Não fico cego, é logo ali

Se vou naufragar, Deus, me folgue o nó
Capina na nuvem um tempo bom
Semeia luz pra minha Penélope
Que alucina
Tecendo um vivo-morto
Relaxe
Até o fim do dia, nêgo, desmancho o tricô de novo.


Pintura de caros amigos (Davi Correia/ Thiago Lobão)

O que me é caro escapa
Viva roda
Do que amo me afasta e não posso dormir
É o colchão, pesadelo, o café…
Acho que eu não nasci pra cidade
Ô neguinha, tem aquarela aí?

Que eu pinto os meninos que vão em suas rondas
A noite alucinar, reinventar som de iludir a cadência
É inversão, contrapé
Falo sério, não nasci pra cidade
– Tem carvão…
Nu diapasão: João tá aí

No carnaval cairão os panos de onde estamos
Luz pra esses novos baianos
Vou pra praça me sambar
E só ver aquele tal
A cidade tem o que, meu Deus?
O que essa gente vê?

Ele é maluco e não é
Em francês
Preto de Marte, se vem, já não sei
Pois ainda evem o batuque daquele de idade, espero
Mó beleza, Axé na avenida

Ainda tem gente que vem para a vida
Fazendo do canto o vintém, Tom
Esse samba cadê? Não tá aqui
Bandolim sem corda não fala nada
Esse som de mesa é todo bom

No carnaval cairão os panos de onde estamos
Luz pra esses novos baianos
Vou pra praça me sambar
E só ver aquele tal
A cidade tem o que, meu Deus?
No que essa gente crê?


Rosa de São João (Davi Correia/ Thiago Lobão)

Perfume novo
Vestido primavera ela tem

Depois do feriado
já não sei se canto outra vez
Quando ela for sozinha lá naquele trem
já estará contando o relógio: um, dois, três

Ela caprichou na desilusão
Quem lembrará da vida é coração
Apostei em vão

Se subir foguete,
me lembro – foi São João
Reverteria um ano só pra ter mais dois

Ao lado dela
Que Deus leve ela
pra todo mundo a ver da janela.


Telegrama pra Rosário (Ian Lasserre/ Thiago Lobão)

* Essa música originalmente se chamava “Chorinho DDD” (Davi Deu a Deixa), depois de uma conversa minha com Rosa Rodrigues, sobre graus conjuntos no choro, o que a inspirou. Lobão gostou e letrou.

Chorinho sem pretensão (Rosa Rodrigues/ Thiago Lobão)

Não seja amigo da tristeza
Ela passa, não faz mal
Pois todo dia é dia de estrela
Pense bem, seja mais que alguém 

Dance com o tempo
Respire um minuto
Todas as cores
E um tom diminuto 

Eleve bem a sua escala
até o zênite da ideia
Paz tem mais quem leva
Mas quem também a refaz.


Nome favorito (Ian Cardoso/ Thiago Lobão)


Samba da lembração (Tássio Carneiro/ Thiago Lobão)

A resposta na internet foi boa e nossa empolgação com isso e com as músicas gerou alguns shows.

cartaz_manontropo_final_digitalPintura: Rodrigo Seixas

Manontropo (1)Foto: Rodrigo Wanderley

Show gravado ao vivo, por Jorge Solovera, no Teatro Solar Boa Vista (08/07/2011):
http://www.4shared.com/mp3/Siptyw6w/manontropo_show.html

Clipe da música “Sertões”:

Direção, fotografia e montagem: Caio Araújo

Sertões (Ian Lasserre/ Thiago Lobão)

Uma vela,
uma tela,
sede na rede,
um João

Uma renda,
uma fenda,
fama de fome,
dois Joões

Um mundo,
um país,
mil sertões

Um mundo
Um país
Mil Joões

Essa agregação temporária pode render muita música, fotografia, vídeos, pinturas, aprendizado e divertimento e é coisa que eu deixo aqui de sugestão:

Façam coisas parecidas, façam projetos, qualquer intercambio artístico é muito rico pra quem faz e pra quem recebe.

E a criação e histórias ficam. A música da Manontropo foi registrada de forma simples, as vezes até tosca, mas podem ser bem gravadas a qualquer momento no futuro, com arranjos bem pensados e os responsáveis serão essa geração…a sensação é muito boa, simplesmente porque a gente fez. Esse material todo podia nunca existir sem a agregação e a fome. De amizade, som, cores e farra. Vale a pena.

Façam!

PS 1: Desculpem o atraso pra nova postagem…festividades…

PS 2: Faltaram algumas letras que não tenho, peço aos autores que me enviem ou eu peço depois e atualizo aqui.

PS 3: Viajo depois de amanhã e esse será o último post do ano, retornando na segunda semana de janeiro.

Bom reveillon! PAZ!

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Um índio vindo de Marte.

Uns bons meses atrás fiz essas gravações com Giovani Cidreira aqui em casa, vocalista da Velotroz (http://www.melodybox.com.br/velotroz). A ideia era a inscrição às pressas num festival, o que não rolou. Foram duas músicas dele, uma de Caio Araújo e uma surpresa no final.

Vou tentar conseguir as letras e edito aqui depois.

Fase da Água (Giovani Cidreira)

Trio Elétrico (Caio Araujo)

Acordo cedo, espero a hora de voltar
nem sempre tudo foi ruim, tudo já esteve em seu lugar,
Acordo cedo, espero a hora de voltar
nem sempre tudo foi ruim, tudo já esteve em seu lugar,
A vida vai correr eu sei
as horas vão passar tranquilamente
o mundo vai gritar perdão
você não vai entender mesmo que tente
Acenda meu cigarro, compre um vinho
diga que vai dar certo, que vou me apaixonar
me mande um recado com carinho
mude seu penteado, pra ver se vou notar

nem assim.. eu vou voltar..

(pá, pá pá pá pá pá. Rá rá..)

A vida vai correr eu sei
as horas vão passar tranquilamente
o mundo vai gritar perdão
ninguém vai entender mesmo que tente
Compre uma carteira do que eu gosto
me pague uma cerveja me chame pra dançar
envie um presente pra onde eu moro
faça uma tatuagem pra me lembrar do mar
chore na minha frente, vire o copo
me diga inconsequente que vai me acompanhar
nem assim.. eu vou voltar..

(pá, pá pá pá pá pá. Rá rá..) 

Veleiro contra o mar (Giovani Cidreira)

Para Lennon e McCartney (Márcio Borges/Fernando Brant/Lô Borges)

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